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" A Nossa Manhã "
Interrompidos todos os caminhos
- ah! perdidas todas as esperanças,
ninguém nos poderia tirar jamais aquela manhã
que nunca será tarde, nem nunca será noite
e será sempre manhã
em nossas lembranças...
As montanhas muravam nosso sonho,
emolduravam nosso encontro,
e nunca a serra fora tão linda...
E havia o rio a rolar, e havia o sol a dourar,
o céu azul nas vidraças, com suas nuvens, distante,
e havia um mundo mais distante ainda...
E havia o vento nos altos eucaliptos
musicando o silencio,
o canto surdo das águas sussurrando baixinho...
E estavas em meus braços, como o vento nas folhas,
como o rio nas margens,
como a ave no ninho...
Era como se como se acordássemos juntos,
como se viesses de longa viagem feliz,
de uma noite de bodas
- e o que a noite não deu, colhemos na manhã
na longa viagm feliz de uma nhã de sol,
a mais bela de todas!
Era mesmo como se acordássemos, como se a vida
tivesse surgido de repente,
vida que nunca pressentíramos até ali,
e nos olhando nos olhos, nos dissesse
perturbadoramente:
- "Eu é que sou a vida!... E estou aqui!"
Era como se andássemos perdidos
em meio a um temporal, por tanto tempo, ao léu,
e encontrássemos um abrigo à margem do caminho
onde juntos ficamos, e onde juntos, assistimos
o sol jogar depois a serpentina multicor
do arco-íris, pelo céu...
Mesmo que acontecesse o impossível
(interrompidos todos os caminhos,
abandonadas todas as esperanças),
ninguém nos poderia tirar jamais aquela manhã
de nossas lembranças...
Foi nossa aquela manha, minha a tua,
nossa
com o louco amor com que te amei
e o louco amor que me deste
de ternuras e extremos...
Ah! meu amor, nem Deus nos poderá tirar
jamais
aqueles instantes que vivemos...
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III - 1a edição 1965 )
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