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"
Esperança "

    

Morre o sol, - quando sobre o verde travesseiro
das montanhas além, retintas no seu sangue,
pende a cabeça, tonto, num delíquio, exangue,
como quem chega enfim ao sono derradeiro...

Morre o rio no mar. E o pássaro ligeiro
ao despencar no espaço,- e a flor, num gesto langue
ao se despetalar aos poucos num canteiro
ou a manchar curvada as pétalas num mangue!
que muita vez soltava sem querer

Morre o passado em sombras, longe, na lembrança,
- a saudade de alguém que ainda hoje se ama
e às vezes morre mesmo um verdadeiro amor...

Só não morre a esperança, enfim, porque a esperança
na brasa onde expirou a derradeira chama
ainda vive... ainda vive e espera!... ainda é calor !


( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. II -  1a edição 1965 )


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