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" Canto Integral do Amor "



Cegos os olhos, continuarias de qualquer forma,. presente,
surdos os ouvidos, e tua voz seria ainda a minha música,  
e eu mudo, ainda assim, seriam tuas as minhas palavras.  

Sem pés, te alcançaria a arrastar-me como as águas,
sem braços, te envolveria invisível, como a aragem,  
sem sentidos, te sentiria recolhida ao coração             
como o rumor do oceano nas grutas e nas conchas.   

Sem coração, circularias como a cor em meu sangue,
e sem corpo, estarias nas formas do pensamento         
como o perfume no ar.                                                   

E eu morto, ainda assim por certo te encontrarias
no arbusto que tivesse suas raízes em meu ser,     
- e a flor que desabrochasse murmuraria teu nome.



( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. II -  1a edição 1965 )


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