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"
Torpor "


   Saíste neste instante...

Ainda há pelo ar suspenso
o perfume sutil que havia em teus cabelos,
e o leito ainda transpira as carícias de amor.
Deixaste-me sozinho...

E enquanto, a sós, eu penso,
sinto na minha boca esse sabor intenso
dos beijos que tu dás. . . E não posso esquecê-los
porque vive em meu corpo ainda o teu calor...
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Lá fora. . . num bocejo a tarde se espreguiça
e o dia se derrama pelo azul no poente...
Vagamente... no quarto, entra uma luz mortiça
que se vai apagando progressivamente...

As coisas vão fugindo entre a sombra que desce,
vão perdendo os perfis... dissolvendo-se no ar...
- no céu, há o misticismo errante de uma prece
e a terra em oração, recurvada, parece,
ante um Deus que estrebucha em sangue sobre o altar!
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Cerro os olhos... No ambiente há amorosos cansaços...
Vem a noite... e abre o olhar dos astros nos espaços...



( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. I -  1a edição 1965 )


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