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Fraqueza... "


Entrei não sei por que na catedral sombria
muito alta... muito grande... e sonora... e vazia,
numa vaga penumbra entre imensos vitrais...
Distante... bem na sombra, os altos castiçais
pousados sobre  o  altar e segurando as velas
enfeitavam  de  luz  as  imagens  mais  belas...

Um silêncio profundo... Os seus passos ecoavam
sobre as lajes do chão, e os vultos que passavam
vez em quando ao meu lado eram sombras curvadas
de místicas talvez... de pobres desgraçadas...

No ambiente, um ar pesado e estranho, essa impressão
de suave morbidez que enche a alma e o coração
nos instantes de dor, de silêncio e tristeza...
Sussurros de orações... Muitas sombras de costas
recurvadas em prece, olhos baixos, mãos postas,
humilhadas na fé, ante os pés de Jesus...

Entrei na catedral cheia de sombra e luz
não sei por que, não sei... e senti na minha alma
uma paz interior... uma infinita calma
inundando o meu ser, fazendo-o sossegar...
e depois que saí... cheguei mesmo a invejar
dentro do meu descrer... dos sofrimentos meus
o destino de alguém que acredita num Deus...
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Um segundo depois sorria... Era a descrença...
que voltava a anunciar sua amarga presença...



( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. I -  1a edição 1965 )


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