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" Essa..."


Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava
olhos tontos de amor que aos poucos me farto,
ontem... era a mulher ideal que eu procurava
que enchia a minha insônia a rondar meu quarto...

Essa, que ao meu olhar parado e indiferente
há pouco se despiu - divinamente nua -,
já me ouviu murmurar em êxtase fremente:
-
"Sou teu!"   E já me disse, a delirar: - "Sou tua!"

Essa, - que encheu meus sonhos, meus receios vãos,
num tempo que eram vãos meus sonhos, meus receios,

já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos
com a beleza estonteante e morna de seus seios!

Essa, - que se vestiu... que saiu dos meus braços
e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez...
- segui-a... e eu era a sombra de seus próprios passos.
Amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez !

Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos
já não guarda as surpresas de antes para mim...
Não importa se há livros muita vez  relidos
importa... é que afinal, todos eles tem fim...

Essa, -  a que julguei ter tanta afeição sincera
e hoje...  não enche mais a minha solidão,
simboliza a mulher que sempre a gente espera,
mas que chega... e se vai... como todas se vão...


( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. I -  1a edição 1965 )


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