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"
Era Uma vez ... "
-
Meu Primeiro Amor -


   O meu amor primeiro... o meu primeiro amor,     
foi anseio, e viveu na incerteza de uma ânsia,  
   - botão que não se abriu... que não chegou a flor,
- um pedaço de céu, quase limpo e sem cor       
perdido nos sem-fins azuis da minha infância...

Silhueta a se apagar, mas que o meu Ser divisa,
uma emoção feliz que nem foi emoção ...            
- nuvem leve a fugir aos impulsos da brisa,      
tênue... vaga... sutil... bem distinta e imprecisa,
passando na memória do meu coração...            

O meu primeiro amor, - um vulto que esqueci  
num canto da lembrança a dormir empoeirado,
- rosto que se apagou porque nunca mais vi,   
- um quadro que se esvai, e que deixei ali         
esquecido no sótão velho de um passado...       

Alma de uma ilusão pequenina e simplória       
  que se dissolve em mim... e aos poucos se desfaz...
parece outro destino, outra vida, outra história,
  quando o tento arrancar das sombras da memória
                tão longe... que ao lembrar-me... eu nem me lembro mais...

O meu primeiro amor... A primeira esperança    
que abriu asas de sonho a procurar o além,       
    - hoje, é apenas lembrança a brincar na lembrança
levado na tristeza do que não se alcança,             
na saudade de tudo o que nunca mais vem!        

Pétala que entre um livro amarelou, perdida,      
  há muito tempo, há muito... por alguém que o leu,
- e agora, ao encontrá-la, seca e fenecida             
no romance sem fim da minha própria vida        
nem sei se quem a pôs entre as folhas fui eu...    
...................................................................................................

O meu primeiro amor... O meu amor primeiro,
  foi uma história azul dessas de " era uma vez"...
- uma história feliz... um conto verdadeiro         
que um dia o meu Destino, um velho feiticeiro,
quis fazer mas não soube terminar talvez...       

Minha glória primeira... e o meu maior desejo
de crescer, de subir, de explicar o Universo!   
       Passou... Foge de mim... mas ainda o sinto e o vejo,
-porque ele é a sensação do meu primeiro beijo
e a impressão imortal do meu primeiro verso!

 

( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. I -  1a edição 1965 )


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