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"
À Espera "    


      Ela tarda... E eu me sinto inquieto, quando
  julgo  vê-la  surgir,  num  vulto,  adiante,
-  os  lábios  frios,  trêmula  e  ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando... 

O céu desfaz-se em luar... Um vento brando
nas  folhagens  cicia,  acariciante,              
enquanto com o olhar terno de amante      
fico à sombra da noite perscrutando...        

E ela não vem...Aumenta-me a ansiedade:
- o segundo que passa e me tortura,         
é o segundo sem fim da eternidade...        

Mas eis que ela aparece de repente!...       
  - E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!...           


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. I -  1a edição 1965 )


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