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" Torpor
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Saíste neste instante...
Ainda há pelo ar suspenso
o perfume sutil que havia em teus cabelos,
e o leito ainda transpira as carícias de amor,
Deixaste-me sozinho...
E enquanto, a sós, eu penso,
sinto na minha boca esse sabor intenso
dos beijos que tu dás. . . E não posso esquecê-los
porque vive em meu corpo ainda o teu calor...
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Lá fora. . . num bocejo a tarde se espreguiça
e o dia se derrama pelo azul no poente...
Vagamente... no quarto, entra uma luz mortiça
que se vai apagando progressivamente...
As cousas vão fugindo entre a sombra que desce,
vão perdendo os perfis... dissolvendo-se no ar...
- no céu, há o misticismo errante de uma prece
e a terra em oração, recurvada, parece,
ante um Deus que estrebucha em sangue sobre o altar!...
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Cerro os olhos... No ambiente há amorosos cansaços...
Vem a noite... e abre o olhar dos astros nos espaços...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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