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" Soldado "


   Por um momento treme... Ao seu lado sibila
o tiro cego... a bala inconsciente e voraz...
Dilatam-se-lhe os globos turvos da pupila:
quer pensar... quer fugir!... Mas já é tarde demais...

Pensa na sua vida, antes bela, tranqüila,
no campo verde, ao sol. . . nas farturas da paz...
E o combate!... ao seu lado, homens postos, em fila,
hão de semear a morte... e deixá-la pra trás...

Pensa por um momento em seu lar, em seu filho.
Receia ser covarde... E o dedo no gatilho
aperta, a perguntar-se em transe: que fazer?

Nesse instante, ouve um grito de comando no ar...
E apercebe-se então, autômato, a avançar,
que somente um direito lhe assiste: morrer...



(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)

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