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" Ser Ou Não Ser... "


   I
Às vezes fico triste... É profundo esse tédio
que intoxica a minha alma e não sei de onde vem...
Meu coração é assim como um presídio imenso
onde há milênios vivo em sombras, sem ninguém...

Nem um ruído de passos que se arrastem,
leves como os passos dos monges dentro dos conventos...
Nem um canto de folhas ao sabor da aragem
nem o menor rumor de asas soltas aos ventos...

A escuridão fechou-se dentro de si mesma
e a solidão correu de si mesma, e fugiu!
O silêncio morreu no esquife do silêncio
e em silêncio, o seu próprio enterro conduziu ...
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Na escuridão total do meu próprio homicídio
quando tu me apareces nessa escuridão,
vens... para me lembrar que vivo num presídio,
como um raio de luar que iluminando a cela
reflete da janela as grades sobre o chão...

II
Trazes-me essa ânsia vaga e inútil dos que sofrem...
Lembras-me o meu viver de enclausurado e monge...
Depois... quando te vais... E me encontro mais só
como te sinto na alma cada vez mais longe!

Há em mim esta tortura dos que já cansaram
de andar, e não desejam procurar um fim...
Se há sombras que ainda vivem dentro de minha alma
nas brumas de meu tédio há fantasmas de esplim...

Sou o homem primitivo que ao meu Ser voltou,
a fonte de água pura onde ninguém bebeu,
sou o irmão de Ariel, que sobrevive anônimo
porque o outro de há muito o mundo já perdeu.. .

Para ser bem sincero, eu não sei quem sou eu...


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)

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