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" Quadro "


   Pelo vão da janela escancarada
tenho os olhos pousados no horizonte,
até que atrás da serra o luar desponte
na noite só de estrelas pontilhada...

Lá embaixo, - como a fita de uma estrada
sob a arcada mourisca de uma ponte
as águas cristalinas de uma fonte
são o espelho da tarde iluminada...

Há chilreios na sombra do arvoredo
e no ouvido das árvores, passando,
o vento diz baixinho algum segredo.

Multiplicam-se as sombras nas quebradas,
e as nuvens lembram na distância, um bando
de pétalas de luz, ensangüentadas!


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)

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