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" Paisagem...
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Desde cedo há o passar dos caminheiros
quando ainda longe vem a madrugada,
e nas sombras da noite sossegada
vão despertando os galos nos terreiros
Há ruídos de carroças nos caminhos
e ouve-se a voz do boiador cantando:
-" Ô !... Arisco!... Ô !..." E no ar,
de quando em quando
há o rumor dos primeiros passarinhos...
Abrindo sulcos... machucando o barro
sob a força dos bois, vencendo a terra,
as rodas gemem, e que angústia encerra
os gemidos das rodas de algum carro. . .
Na frescura das matas orvalhadas
onde lampejam pirilampos no ar
vão se apagando as curvas das estradas
que se somem na noite a caminhar...
Pausadamente pelos céus ecoa,
numa impressão de indefinível mágoa,
o coá-coá de algum sapo de lagoa
que mora à beira de uma poça d'água...
Pelo alto... entre as estrelas aos cardumes
o Cruzeiro adormece para o Sul,
e as estrelas parecem vaga-lumes
mortos, num leito de veludo azul. . .
Empalidece todo o espaço exangue!
- e as estrelas feridas, apagadas,
fazem lembrar gotículas de sangue
à luz do sol nascente coaguladas...
De repente decide-se a batalha:
o horizonte da sombra se reduz!
E a granada do sol rompe e estraçalha
o azul dos céus numa explosão de luz !...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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