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" O Acordar da Cidade "
A aurora despontou berrante como um hurra !
Nas olheiras noturnas do horizonte
o dia abriu os olhos...
E o sol gritou mil raios estridentes
e assustou as estrelas boêmias
e embriagadas
que ainda ficavam pelo azul perdidas
.As montanhas respiram,
e enchendo os pulmões
arrebentaram nos peitos fortes as vestes das nuvens
A terra sorriu feliz - e a dentadura branca das areias
das suas praias sem
fim
foi lavar com a espuma fresca e dentifrícia das ondas
Enfim, completamente nu sobre o horizonte,
o dia jogou o balde do sol cheio de luz
sobre a terra,
e acordou a alma da cidade
em suas algazarras e escarcéus...
E a cidade abriu as pálpebras das cortinas de aço,
bocejou com o apito das fábricas no espaço
- se espreguiçou -
e então se levantou
erguendo os braços longos dos arranha-céus!...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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