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" Noite
de Junho "
Escancaro a janela aos céus, de par em par...
Noite fria de junho. O céu negro e cinzento.
Lá na altura há balões tocados pelo vento
e há foguetes rasgando a amplidão, sem parar...
Sem querer... sem sentir... eu me ponho a pensar
e a saudade me invade o peito e o pensamento...
-A luz dos foguetões, de momento a momento,
é um cometa sem rumo em difusão pelo ar...
A cidade está quieta... Os ruídos distanciados
dos fogos ; muito ao longe, espalham nostalgia
por sobre a placidez friorenta dos telhados...
E ao jogo dos balões que o céu todo acendeu,
vai passando em minha alma a visão fugidia
de um antigo S.João que há muito já morreu!...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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