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" Moleque
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Eu fui moleque como ninguém!
Desde cedo andei nas ruas entre os bandos
dos filhos dos pobres,
andei descalço... e apanhei muitas surras
por faltar às lições...
Tinha orgulho de ser o mais ousado
e sempre o mais sabido,
e era tão atrevido
e malcriado
que muita vez soltava sem querer
uma gíria de feios palavrões...
Houve um tempo em que na rua em que eu morei
o nosso futebol
era a maior de todas as desgraças...
Que o dissessem as janelas que se abriam
em desaforos e ameaças
- e que eram apenas janelas,
pois já não tinham vidraças...
Do nosso grupo, todos se afastavam,
era o terror das mamães
que chamando os seus filhos, avisavam:
"- não quero ver vocês junto a moleques,
esses não servem para companhia..."
E quantas vezes não sorri, ouvindo
a mesma frase
que ao chegar em casa
para o moleque-mor, mamãe dizia...
Como me lembro desse velho tempo
eternamente criança em meu passado,
- como me lembro bem !
E ainda hoje sinto orgulho quando penso
no garoto que fui, tão malcriado,
moleque como ninguém !...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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