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" Mãe "


  Era pobre... infeliz... bem pequenino
tronou-se um revoltado - e, certa vez,
dormiu nas lajes frias de um xadrez
por andar pelas ruas sem destino...

Votou-lhe a sociedade onde se fez
o desespero e a dor - e ainda menino
por ter fome - roubou; fez-se assassino
em defesa legítima, talvez...

Acabou como um pobre encarcerado,
o mundo o desprezou - e ele, sozinho,
só teve um ser que lhe ficasse ao lado...

Olhos mortos... cansados... já sem brilho...
E uns lábios que diziam com carinho:
- assassino e ladrão... mas é meu filho !


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)

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