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" Eu
..."
Não vês ? - vai por ali passando neste instante,
tem o rosto sulcado... e as feições contraídas...
É uma vida, talvez, contendo muitas vidas
num destino impreciso e eternamente errante...
Não fala com ninguém... É vago e extravagante...
No olhar cheio de luz andam visões perdidas,
- quando chora, em seu pranto há lágrimas sentidas,
e quando ri, seu riso é mordaz e arrogante...
Despreza todo mundo... Anda consigo, a sós,
- não há quem lhe conheça os segredos do olhar,
nem quem lhe tenha ouvido a verdadeira voz. . .
Vai passando em minha alma. . . e nela se escondeu...
Se por ele algum dia eu for te perguntar, responderás: -
"é um louco!..." E eu te direi: - "sou Eu!..."
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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