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" Disseste
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" Olha a noite! Olha o céu! A tarde vai partindo!
Empurrou-a no além um vendaval de luz...
- nunca pude supor que o céu fosse tão lindo
e a noite luminosa assim, nunca supus.
Há em tudo encantamento! A minha alma é enlevada
numa felicidade em suspensão pelo ar...!"
Disseste...
E eu te fitei, mas não te disse nada
porque tinha os meus olhos só para te olhar...
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" Escuta! Ouve o rumor que transborda dos ramos,
na orquestração feliz dos pássaros nos ninhos,
- quantos sons dentro da alma, alegres, nós levamos!
- quantos sons no arvoredo à borda dos caminhos!
Tudo é vida, é harmonia, é música encantada,
-que magia me embriaga, infinita e sem par!..."
Disseste...
E eu te escutei, mas não te disse nada
porque só tinha ouvidos para te escutar...
" Levanta as mãos! Apanha!... Estes galhos floridos
pesados como estão, radiantes, multicores,
parecem se ofertar aos teus braços, vencidos,
quando soltam pelo ar um punhado de flores...
Fazem sombra e enflorescem todo o vão da estrada!
Colhe-os. Pára um momento para os apanhar !..."
Disseste...
E eu continuei, e não te disse nada
porque só tinha braços para te enlaçar !
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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