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" Destinos "


A alma do poeta é assim como límpida corrente
rolando sem parar,
transformando os seus sons constantemente
na alegria incontida de quem sente
cada vez mais, vontade de cantar...

E o poeta, - é esse rio a encantar a floresta
refletindo em seu seio o esplendor dessa festa
de milhares de flores aos cabelos das matas
presas e penduradas,
enfeitando os cipós e bordando as ramadas
que sobre as águas pendem vaidosas demais...

O rio é o poeta, - e a sua alma, a água cantante
que refletindo a vida e as flores, passa adiante
e vai seguindo sempre sem voltar jamais...

E como o rio de águas marulhando
que em espumas seu corpo vai sangrando
na corrente que passa ora inquieta, ora calma,

-o poeta vai também a sua alma arrastando
sobre as pedras da vida, a ferir-se e a cantar,
e solta então seus versos como bolhas de ar
arrebentando em sons e espuma à tona da alma!

Pensando bem, - o destino de um rio
é o destino da gente,
-e a vida vai rolando a nossa alma a cantar
como a água vai cantando a rolar na corrente!


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)

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