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" A
Igrejinha de S. Sebastião "
(Em
Rio Branco. capital do Estado do Acre)
Igrejinha pequena... bem pequena,
com sua torre branca para os céus
e um sino que batia ao vir da tarde
quando os olhos do dia se nublavam
e a noite desdobrava pelo espaço
os seus primeiros véus...
Igrejinha de S. Sebastião
onde num dia claro e muito azul,
todo cheio de sol
e para mim tão cheio de esperanças,
em meio aos vultos brancos das crianças
eu fiz minha primeira comunhão...
Vives comigo, em todas as lembranças,
como um símbolo antigo
e muito amigo
de um tempo que ficou longe demais...
Mas o tempo que passa e tudo vence
não consegue tirar-te da minha alma,
não consegue apagar-te dos meus olhos
nem da minha memória te desfaz...
Vejo bem tua torre para o céu
nos domingos
em meio ao povaréu
da minha cidade natal,
onde a alma da minha gente é clara como cristal...
Ainda escuto o teu sino no ar rolando,
badalando...
badalando...
Seus alegres Dlin-dlons
numa festa de sons
- ainda escuto o teu sino, como as crianças,
a pular e a brincar,
e que era eu muita vez que ia puxar
quando faltava o velho sacristão...
Igrejinha de S . Sebastião,
toda branquinha como um lírio branco,
às margens argilosas do barranco,
perto da praça e de um grande jardim
bonito como nenhum,
- onde havia um coreto e onde eu trepava
às quintas-feiras para ouvir a banda
que sempre começava:
- "tara-tchim!..."tara-tchim!..."tara-tchim!...
bum!...
Igrejinha de S . Sebastião,
rodeada de mangueiras e de sombras
c ao lado de uma ingàzeira,
onde eu, o sacristão e a molecada.
( aquele com a batina arregaçada . . . )
- fugindo aos raios do sol,
jogávamos futebol
depois da missa . . . pela tarde inteira . . .
Igrejinha da terra onde eu nasci,
perdida na distância
dos mais longínquos sertões,
erguendo para o azul a torre esguia,
sempre cheia de sinos e de crianças
nas minhas recordações...
Hoje, na minha vida tão mudada,
na minha alma descrente
e já cansada
és o vulto distante da ilusão,
toda branquinha como um lírio branco,
não às margens vermelhas do barranco,
mas no barranco do meu coração!...
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935)
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