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"Razões de Amor... II"


Gosto de ti                           
desesperadamente:              
dos teus cabelos de tarde    
onde mergulho o rosto,      
dos teus olhos de remanso 
onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias,
brancos manjares trementes
   com dois vermelhos morangos
para as minhas alegrias;    

de teu ventre - uma enseada
- porto sem cais e sem mar -
  branca areia à espera da onda
  que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento  
de tantas curvas, convexo,    
de tuas coxas que lembram   
as brancas asas do sexo;      

- do teu corpo só de alvuras
- das infinitas ternuras       
de tuas mãos, que são ninhos
de aconchegos e carinhos,    
mãos angorás, que parecem 
que só de carícias tecem       
esses desejos da gente...       

Gosto de ti                           
desesperadamente;            

gosto de ti, toda, inteira      
nua, nua, bela, bela,         
dos teus cabelos de tarde    
aos teus pés de Cinderela,   
(há dois pássaros inquietos  
em teus pequeninos pés)     
- gosto de ti, feiticeira,       
tal como tu és...                   


( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro"A  Sós..." 1a ed. 1958 )


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