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Noturno nº 6 "

    
Na noite longa, sozinho, te vejo embuçada
nas coisas que me cercam.

Ouço tinir o telefone, e imagino tua voz em meus ouvidos
como um arrulho de onda, distante.

As estrelas me olham com teus olhos, e o luar
se gasta inutilmente
ao meu amor mendigo.

Estás longe, e nem sei como estás.
Se esta velha lua pudesse levar minha mensagem,
não me deixarias só nem mais um momento:

trarias tuas mãos enfermeiras
para a minha fronte doente.


( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro" A  Sós..." 1a ed. 1958 )


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