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" Náufrago "
Nada sei de ti. Me sinto como o homem do farol
esquecido no mar,
isolado do mundo e sem contato com a vida,
sem telégrafo, sem porto, sem navio,
meses a fio a esperar...
Nada sei de ti. Estou sem notícias, como um náufrago
entre praias e gaivotas,
fora de todas as rotas...
Olho o limpo horizonte, sem um aceno de fumo.
Olho o céu, desesperado...
Tuas mãos de velas pandas, teus olhos, - bússola e estrela -
quando me encontrarão?
Ah se fossem pombos-correio estas selvagens gaivotas
que planam sobre a minha angústia,
sem ver a minha solidão...
( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro" A Sós..." 1a ed. 1958 )
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