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Marinheiro Morto "

    
Marinheiro morto,
eu vogava à flor das ondas
como um resto de naufrágio.

Tu me encontraste e me recolheste,
e aqueceste minhas mãos enregeladas,
e beijaste meus lábios frios,
e descerraste meus olhos ardidos
onde as pupilas tremiam como as estrelas no nevoeiro

E ao milagre de teu calor, meus nervos se retesaram novamente
como o cordame dos mastros,
meus olhos cintilaram, meus braços lançaram ao teu redor
fortes amarras,
e novamente enfunei a vela dos sonhos
e dos desejos...

Eu era um marinheiro morto
que tu ressuscitaste.

Agora
dá-me o teu corpo de mar
para eu navegar...


( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro" A  Sós..." 1a ed. 1958 )


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