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" Estrangeiro "
I
E de repente estou no meio de falas, risos
E gestos
-da vida de antes e sempre conhecida-
como se fosse um estrangeiro...
Não entendo a alegria, não percebo as palavras
não respondo aos acenos,
não conheço ninguém.
Permaneço alheio, vazio
como o imigrante solitário, atordoado,
ao descer do navio...
Agora
em minha vida
me encontro sempre em terra desconhecida
quando não estas presente...
II
Estranho, como de repente
- o que era a minha vida, ou o que eu julgava que era ,-
não faz sentido mais...
Tenho a alma daquele imigrante em terra estranha
a carregar sozinho seus pensamentos
em meio a algazarra do cais...
III
Antes de ti
a vida era um velho roteiro, rotina
comum...
Agora, quando venho de teus braços
estou voltando do Paraíso...
E estou sempre chegando a lugar nenhum...
( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro" A Sós..." 1a ed. 1958 )
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