*****************************************


"
Córrego"

    
Vou comparar nossa vida
a um córrego.

Toda vez que to encontro, me sinto
como se rolasse em tumulto,
em redemoinhos.

Vou levado pelas águas, sem domínio
de mim mesmo,
e meu sangue rumoreja como as corredeiras
nas gargantas da serra.
..............................................................................

Duram tão pouco os momentos tranqüilos
no remanso de teus braços
quando estamos a sós...

Gostaria de deixar-me ficar a vida inteira
contigo,
a refletir a paisagem e o céu...
............................................................................................

Destino de córrego. Tenho que seguir, e cada despedida
é como uma queda de água onde me lanço
desesperado,
num gesto branco de adeus...


( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro"A  Sós..." 1a ed. 1958 )


*****************************************

Home