
![]()
*****************************************
" Teus Cabelos "
Estamos quietos amor, em bonança
esquecidos de nós
viajando por nós mesmos, sem nós mesmos...
Distraída e imprevidente
te recostas em meu peito
e estás leve e alheia como uma criança sem sono.
De repente, minha mão encontra teus cabelos
e como estranha aranha se esconde em tua nuca,
e meus dedos se entranham e se emaranham
como raízes profundas, silenciosas.
São teus cabelos, sim,
não posso mais tocá-los...
Tem estranhos eflúvios que me fazem estremecer
até o fundo de mim mesmo,
e... já não me reconheço...
Tua cabeça em minha mão acende-se como uma tocha loura,
e olhos em teus olhos as chamas que ardem, sopradas
por que misteriosos ventos?
Gosto de encher as mãos com os teus cabelos,
como um lavrador, a recolher, feliz,
as louras messes de uma farta colheita.
Ah, teus cabelos, amor,
são um incalculável tesouro...
Quero morrer sempre e cada vez mais
como um rei Midas afogado em ouro
perdido neles, como em mar de sonhos...
( J G de Araujo Jorge - coletânea -
" Poemas do Amor Ardente" 1a ed. 1961 )
*****************************************