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" Poema Para As Mulheres
De Todas As Cores "
Oh, o estranho prazer de deixar nossa imagem em todos os olhos
castanhos ou negros, verdes ou azuis,
nos olhos das mulheres que amamos ou desejamos,
que fizemos felizes
ou infelizes,
- nos olhos das mulheres de todos os países...
Oh, o estranho prazer de sob os céus mais distantes, frondejar
nossos ramos,
e nas terras mais longes, mergulhar
nossas raízes!
O prazer de deixar nossos beijos, e a mancha dos nossos contatos,
em todos os corpos nus,
morenos ou brancos, caboclos, mulatos,
manchados, de sombra!
pintados de luz!
Oh, o estranho prazer de saber que em todos os idiomas
pensam em nós...
- que em cada porto há um lenço que nos chama,
uma lágrima, no olhar de quem nos ama,
e um soluço, e uma voz!
- E que somos lembrados
em todos os lugares...
- e adorados
em todos os altares...
Oh, a alegria de deixar no ventre de todas as mulheres,marcadas
pelas nossas carícias,
-deslumbradas
pelo nosso amor,
- o pólen de ouro dos nossos sentidos incontentados
que hão de dar frutos louros, morenos, pigmentados,
conforme a cor da corola
conforme o colo da flor!
( J.G. de Araujo Jorge - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente " 1a ed. 1961 )
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