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 "
Paternidade "


Deito a vida na cama
e durmo com ela.

Faço filhos na vida
com amor:
aí estão: meus poemas.

Choram, cantam, riem, lutam,
principalmente amam -
parecem-se comigo, bem sei que têm defeitos,
- mas são meus:
neles pulsa meu sangue e se agita minha alma -
cumprirão seu destino.

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Há uns poetas por aí
que só fazem filhos
por inseminação artificial.

Não amam. Têm por isso um ódio de morte
aos poetas do Amor.


( J.G.  de Araujo Jorge - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente " 4a ed. 1972  )


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