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"
Oráculo "


Sinto que vens de longe, através das eras,
para um mundo profano, esquecido das olímpicas
belezas,
das mediterrâneas primaveras
e das perfeições supremas...

Eu sabia que vinhas, e por isso eu te esperava ...

Ressuscitarei em teu corpo a alma perdida e escrava,
e ao milagre da ressurreição,
vibrarão teus ouvidos com a música dos meus poemas
e os teus olhos com a fantasia da minha imaginação!

Despertarei em tua carne todos os gestos adormecidos
e ressoarão novamente em teus sentidos
acordes imortais de outros hinos de amor...

Soprarei a luz nas tuas órbitas frias e inanimadas
que não viram a marcha dos tempos,
e na superfície de cristal de tua beleza serena
acordarei repuxos de líquidos corpos
transparentes,
e mergulharei nas profundezas as minhas mãos nervosas
-as minhas mãos ardentes...

Depois... eu turvarei a pureza sem mácula
da tua alma presa
e adormecida,
trazendo-te do fundo de ti mesma, e entregando-te surpresa
a própria Vida ...

Libertarei o teu corpo feito de ritmos elementares
para a suprema celebração desse milagre criador...
E dos teus esponsais com o Poeta,
renascerão em tuas formas
todas as estátuas gregas,
e de teu ventre virá a luz que há de perpetuar a beleza
na imagem de um novo deus, filho do nosso amor!


( J.G.  de Araujo Jorge - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente " 1a ed. 1961  )


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