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" Olho As Mãos... E Penso... "


    
E dizer que estas mãos te conheceram...

Que para elas não guardavas segredos
e a elas tantas vezes te entregaste, em confiança
como uma criança...

Olho-as, como se fossem as mãos
de um jogador - que tudo ganha e tudo perde -
mãos que tudo tiveram nervosas, aflitas,
e de repente já nada tem, e estão vazias e infinitas
sobre o pano verde...

(Só que em minha roleta, o pano é negro,
da cor dos teus olhos...)

Preocupo-me, amor, neste momento, ao fitá-las:
quanta coisa puderam ter retido...

E penso:

- quem há de, agora, desabotoar atrás
aquele teu vestido?

II
Estas mãos, que foram guias, cicerones
em viagens maravilhosas
ao redor de nós mesmos -
mãos que inutilmente carrego:

- agora,
mãos insones,
mãos nervosas,
são como guias de um cego.



( J.G.  de Araujo Jorge - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente " 1a ed. 1961  )


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