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" Morrer... "


Quando estamos a sós... quando o teu corpo enlaço
e mergulho o meu rosto em teus cabelos soltos,
por Deus que nem eu sei o que sinto, o que faço,
há em mim a confusão de desejos revoltos!

Tendo os lábios aos teus longamente apertados,
misturo em nossas bocas nossa própria Vida,
e ao  te sentir pesar em meus braços, vencida,
o mundo é um caos que gira em meus olhos cerrados...

Quando encontro em meu corpo o teu corpo macio,
os seios soltos, nus... fremindo no meu peito,
- abraço-te numa ânsia ! ... e depois que te estreito
sou como um tronco em queda a soltar-se num rio!

Eu te quero e desejo! ... Esse amor que me dás
é uma alucinação que cega os meus sentidos...
Meus braços te enlaçando, querem sempre mais
até que os nossos corpos rolem confundidos...

Não há nada no mundo, eu junto a ti, sou franco! 
Desprezo a terra inteira, e todos os tesouros
para poder beijar o teu pescoço branco
e desmanchar com as mãos os teus cabelos louros!

Não há mundo, se te ouço num débil socorro
a debater-se em vão e a murmurar:
"sou tua!
cobre-me de carícias que me sinto nua
e aperta-me ao teu peito que em teus braços, morro!" .

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Quando estamos a sós... calados, esquecidos,
nosso amor é um incêndio esplêndido, sensual,
e julgamos morrer ao seu calor, vencidos
ao sublime estertor de um desejo imortal !



( J.G.  de Araujo Jorge - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente " 1a ed. 1961  )


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