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" Exaltação "
Gosto de te entrever na penumbra sensual
morna e doce do leito,
com os olhos semicerrados
- onde a tua alma foge como um sol no poente...
e os lábios entreabertos
- onde tua alma aflora como sol nascente!...
Gosto de te entrever, despida e quase nua,
na carícia dos momentos silenciosos
cheios de ânsias,
gemidos
e suspiros nervosos...
- quando teus seios brancos, brancos, da cor da lua,
ou como luas túmidas, talvez,
parecem quartos crescentes
fugindo do teu vestido
e anunciando o esplendor das luas cheias
despontando na sombra em completa nudez!
Gosto de te sentir a carne luminosa
quando, através do tato, eu te admiro e vejo
como u'a mancha branca na penumbra,
uma estranha e envolvente nebulosa...
Uma estranha e envolvente nebulosa
que me abraça
me cega,
me alucina,
e põe na minha boca um gosto de desejo
e deixa na minha alma uma impressão divina...
Gosto de te sentir... de descobrir teu corpo
feito de leite e luar,
feito de carne e luz,
e entontecer meus olhos deslumbrados
e pousar os meus lábios excitados
sobre os bicos pequenos dos teus seios nus.
Gosto de te sentir tateando nos meus dedos,
enchendo as minhas mãos ansiosas e vazias
e infiltrando-se em mim... em minha alma... em meus nervos...
como a aragem que é a vida e a alma dos arvoredos...
E vem-me esta impressão, quando estamos unidos
completamente sós,
que misturamos todos os sentidos
e que somos, assim, como troncos fundidos,
pelo abraço amoroso e estreito dos cipós!
Gosto de te sentir bem junto, palpitante,
desabrochando desejos,
multiplicando emoções,
- para ao contato ardente do teu corpo
esculturar-te inteiramente em minhas mãos - que loucas!
na escultura mental das minhas sensações!
E gosto de esquecer de mim mesmo e de tudo,
mergulhar o meu rosto em teus cabelos negros,
onde há a frescura da noite
e um cheiro de mato em flor,
e vendo um céu maior que o êxtase descerra
atingir o Infinito e despencar na Terra
vivendo a sensação de que morri de amor!..
( J. G . de Araujo Jorge -
coletânea -
"Poemas do Amor Ardente" 1a ed.1961)
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