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          " Caminho Monótono "

 
 E por que hei de negar?...Ah! o encanto da estrada
 abrindo em cada curva um leque de paisagem,
 e o mistério da casa escondida e encantada
 que mora sob a sombra amiga da folhagem
 
 E por que hei de negar?  Se isso é a vida passada;
 se o fastio espantou o encanto da miragem
 Hoje - o olhar distraído, e a alma já cansada
 repetem todo dia e sempre a mesma viagem
 
 E por que hei de negar?  Ah! Aquelas ânsias loucas
 dos beijos que cantavam sempre em nossas bocas
 e das mãos, não sabendo nunca onde pousar...
 
 Hoje... por mais que venhas, sempre estou sozinho...
 E por que hei de negar?  Se teu corpo é um caminho
 onde de olhos fechados posso caminhar?...



(  J. G . de Araujo Jorge  - coletânea -
"Poemas do Amor Ardente" 1a ed.1961)


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