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Desconfio que você esta "tomada", amor...
Às vezes você me olha como se eu fosse formidável
como se eu fosse uma beleza,
fosse um sputnik, uma bomba atômica, que sei eu?
- fosse uma vista do Rio de Janeiro...
Acho até que você me olha às vezes, como se eu fosse
Nosso Senhor...
Você me põe uns olhos vidrados de cabrocha em transe
e eu sinto suas mãos me percorrendo, me descobrindo,
e eu já nem sei quem sou eu
nem pra onde vou.
Bobagem, amor, eu não sou ninguém,
ou por outra, sou apenas alguém que abraça você com ternura,
que descobre sua nuca, que segura seu traseiro,
que morde suas coxas,
que acaricia seus quadris, todo o seu corpo,
como se você fosse um violão e eu quisesse fazer você virar música
e quisesse ouvir você tocar, no coração.
Às vezes, amor
você me olha de um jeito que eu até me sinto
num altar,
(que Deus me perdoe o sacrilégio)
mas é bom a gente se sentir assim gostado
desse jeito
como a coisa mais importante, mais formidável do mundo
E é por isso que eu apanho você em meus braços
e a amarro toda,
todinha, até soltar você, e ouvir você dizer que morreu,
que morreu bem morrida,
e que então já nada mais importa, nada, nem mesmo sputnik,
nem a bomba atômica, nem o Rio de Janeiro,
nem a vida.
( J. G . de Araujo Jorge -
coletânea -
"Poemas do Amor Ardente" 1a ed.1961)
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