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 "
Lundu de Sona Sinhá "
                                                           Wilson Woodrow Rodrigues
                                                     

Tanta brancura na pele,
tanta negrura nos olhos,
tanta risada sonora
no mundo não há
fora do colo macio,   
dos olhos tão envolventes,
da boquinha tão vermelha
de Dona Sinhá.

Pegar com jeito no leque,
fazer mesura na valsa,
dizer adeus com o lenço
    no mundo não há
como o jeito delicado,
o sapatinho de seda,
a mãozinha tão alva
de Dona Sinhá .   

Rezar na igreja, sonhando.
dizer "não" sempre sorrindo   
prometer tanto em silêncio
    no mundo não há
como a reza mais sincera,
os lábios enganadores
e as promessas escondida
    de Dona Sinhá.

fingir chilique de choro,
zombar do próprio marido
e trair o próprio amante
    no mundo não há
como as lagrimas fingidas,
os carinhos mentirosos
a os amores levianos
    de Dona Sinhá.

(Cantigas do chão)


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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