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 "
Final "
                                                             Rui Rodrigo Fernandes
                                                      Porto Alegre - 1912


Rui Rodrigo Fernandes
Um dia
serei como uma braçada
de folhas mortas.

Estarei à margem
de um caminho,
à sombra esquecida.

de um muro em ruínas,
no recanto obscuro
de um bosque sonolento,
longe da água clara
que alimenta a boa terra
das vinhas de meu pai.

Se passares por mim
toma-me em tuas mãos
e enterra-me na raiz
da árvore mais forte.
Não passes indiferente!
Não te enganes
com a minha quietude!

Os meus nervos estarão
todos lá,
entre os teus dedos,
vibrando em tua carne
e sentindo, trêmulos de alegria,
o rumor do sangue
em tuas veias.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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