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" Poema Aos Poemas dos Outros "
Pedro Avelino
Aos meus irmãos,
Aos meus altos senhores,
Cantando em todas as línguas.
À vossa música e ao vosso espírito,
Às mãos que firmaram vossos cantos
e aos vossos destinos, gloriosos ou inglórios
Às mensagens que ainda rolam no tempo
Às mensagens que giram como eternas
e inquietas estrelas
Às mensagens apagadas,
mergulhadas no fundo dos mares,
entre búzios mortos e restos de naufrágios
Aos meus irmãos que nada disseram,
em cujos lábios dissolvidos pairou,
por um instante, o poema
Aos prescientes da poesia,
que viveram em desgraça
e a procuraram com amor e desespero
e eram ela própria
Ao verso caminhante
multiplicado como um eco
Ao poema inaugural
inteiramente livre,
inteiramente vivo
ao velho poema,
cuja força era a mesma.
A todos os poemas
aos pássaros do mundo
em sua revoada,
cada qual com seu canto.
Asa ou flor oferecida,
coroa de palavras semimortas
como a prece,
eis a vós o meu poema !
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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