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" Desamparo "
Pedro Avelino
Meu espírito, em silêncio,
nesta noite vazia,
sofre o peso de sua imensa agonia.
Minha mão,
enorme como um símbolo,
busca exprimir alguma cousa.
Esta folha em branco
aguarda, como uma terra indiferente e sem cuidados,
a semeadura das minhas palavras:
meus dedos sulcando como arados
esta argila branca.
Meu corpo inteiro repousa,
só, a minha mão trabalha
tecendo um vago bordado
nesta clara mortalha.
Meus dedos, antigos,
se recurvam num esforço vão
sobre uma presa inconsútil.
Há, à minha volta, um grande ermo
sem termo.
Há, a minha volta, um grande ermo.
Minha mão, neste momento
é um enorme pensamento aflito!
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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