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" As Duas Andorinhas "
Pádua de Almeida
Quando, todas as tardes, te avizinhas
de mim, sorrindo, à luz crepuscular,
as tuas mãos são duas andorinhas
que em minhas tristes mãos vem se abrigar.
Porém, um dia, as tuas mãos, que aninhas
entre os meus dedos, ante o céu e o mar,
as tuas mãos hão de partir das minhas...
Vazias minhas mãos hão de ficar.
Mas, não, talvez; que as duas andorinhas
que retenho, a sonhar, para aquecê-las
nesta grande ternura singular,
hão de deixar nas minhas mãos sozinhas
um pouco desse sol e essas estrelas
que trouxeram nas asas, ao chegar.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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