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" Eleutério, Meu Pai "
Oswaldino Ribeiro Marques
Eu sou povo! minhas ascendências andavam descalças
na velha Alcântara, feira de pescadores.
Minhas ascendências limpavam a boca na manga da camisa
e gritavam nas ruas da velha Alcântara
pregões cheios do sortilégio das águas do mar.
Ó Eleutério, meu pai! eu te vejo consertando tarrafas
na noite trescalante de Alcântara.
(As escamas refulgentes das estrelas, a pescada branca da lua...)
Eu sou povo! mesmo com esta voz de timbre cultivado
e com estes pés que há muito não sentem a humildade do chão.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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