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" Luar Nos Sete Mares "
Oliveira Ribeiro Netto
Caiu do céu a mortalha da lua branca no mar.
Mortalha das afogadas que estão morrendo na guerra
nos barcos que encontram, minas na tocaia de matar
as mulheres que eram flores dos sete mares da Terra.
As cabeleiras esparsas das mulheres que eram rosas,
parecem algas boiando entre as algas e os rochedos.
Há gritos frios nas bocas das máscaras dolorosas,
palavras que não gritaram no pavor de tantos medos.
Sereias verdes e hárpias virão das ilhas desertas
em grandes conchas de prata com velas cor de luar.
Tritões de barbas de espuma, de grossas bocas incertas,
virão beijar as mulheres que a guerra jogou no mar.
Virão rondas de fantasmas de corsários marinheiros,
trazendo redes de pérolas para os corpos de marfim.
As cabeleiras das virgens, nos seus amores primeiros.
terão a estrela dos mares como se fosse um jasmim
Deixai-as homens, deixai-as, nas ondas que dão vertigens
sonhar o sonho dos mortos sob as bençãos do luar.
Guarda o sono das mulheres, protege o pudor das virgens
lua branca de mistérios, Nossa Senhora do Mar.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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