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 "
Cromos do Norte "
                                                             Oliveira Ribeiro Netto


Montanhas de veludo, baías pequeninas,
casinhas coloridas nos montes azulados,
sob um céu de seda cor-de-anil.
E o convento lá em cima, adormecido.
- Vitoria! És um presépio em miniatura,
és a caixa de brinquedos do Brasil!
Bahia dos palmares farfalhantes,
das mangueiras de frutos cor-de-sol,
das mil tomes cantando, confiantes,
o seu hino de glória ao Criador.

Oh! Bahia da Praia-do-Farol,
Bahia das comidas tão gostosas:
moquecas, vatapás e acarajés.
Bahia das macumbas feiticeiras,
- mãe-de-santo a tinir berenguedês!
Bahia cor de açúcar mascavinho,
tua voz é diferente, não me engana!
A risada das negras no Mercado,
é uma escala cantante como os sinos
das tuas igrejas de ouro e filigrana.

Sergipe dos engenhos que ainda sonham
entre canaviais e cajueiros;
das praias que são lençóis todos de conchas
onde dormem os cascos dos saveiros!
Tens a ternura macia de um veludo
no teu peito ardente e apaixonado,

- oh! Sergipe leal e pequenino.
Tens a forma perfeita dum escudo
de nobreza, timbrando o teu passado.
marcando o teu destino!

Maceió das velas brancas como asas,
Ponta-da-Terra, Ponta-Verde, Bebedouro!
Maceió da lua grande cor-de-prata
e das pencas de cajus feitos de ouro!

Recife gloriosa! Olinda, Linda
como um quadro da corte de Nassau.
Teus milhões de coqueiros pelas praias
são cascavéis correndo junto ao mar.
Teus rios são serpentes de águas claras
a enrodilhar teu corpo, sedutora,
tuas curvas caprichosas de mulher!

Cabedelo, velhinha cochilando
com um rosário de côcos sobre o colo.
Paraíba das praias rendilhadas
cor da polpa dos jambos sumarentos,
cor da alma branquinha das rendeiras.

Natal dos Reis-Magos, das jangadas.
Areias-Pretas, dunas brancas de marfim
acenando os seus leques de palmeiras!

Ceara do sol queimando como beijos
sobre o corpo caboclo de Iracema;
Ceara dos verdes mares palpitando,
ardente como o peito de quem ama.
- tuas ondas cantam, sonoras como bilros
tecendo rendas para tua fama!

S. Luiz! Seio branco anunciado
por um solar verdíssimo de ilhotas!
S. Luiz, cidade pura como o nome
do Rei-Santo, noiva coroada
por uma auréola branca de gaivotas!

Depois . . .
São matas verdes a perder de vista,
são ilhas verdes a saltar das águas,
das águas verdes a correr serenas.
Pinheiro, Marajá, Chapeu-Virado,
Nazaré de iluminuras encantadas,
mastaréu de Ver-o-Peso, Guajará.
E Belém, das cerâmicas morenas
como as pastoras bíblicas e ingênuas
que em Belém adoraram Jesus Cristo.
Santa Maria de Belém do Grão Para!

Como são belos teus irmãos, S. Paulo!
Nesta noite de Natal, pensando em ti,
eu te envio, S. Paulo, em longo beijo,
minha saudade doce e dolorida
e estes cartões postais que eu te escrevi.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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