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 "
Rua Velha "
                                                             Martins d' Alvarez


Ruazinha, rua antiga,
velha, feia, esburacada,
com lampeões nas esquinas,
altas calçadas de lages,
muros tortos, casas sujas,
negras portas remendadas...

Ruazinha tão tristonha,
que nem sequer tem meninos
para quebrar o silêncio,
para fazer traquinagens,
encher de desenhos feios
o paredão da Botica . . .

Jogar pedras nos telhados,
espantar as andorinhas
que andam brincando de "toca"
nas casas de beira-e-bica.

Antiga "Rua Formosa",
atual "Rua das Almas"'. . .
Das almas apaixonadas
pelos lugares desertos,
pelos recantos sombrios: -
- criadinhas e soldados,
vagabundos, seresteiros,
ranchos de gatos vadios.
Rua que esteve "na ponta",
na pontinha... Da cidade.
Foi moça, teve alegrias,
lindos romances de amor...
Romances como o do poeta
que, numa noite de festa,
fugiu com dona Clarice,
filha do Comendador.

Rua que esteve na ponta,
mas agora está no fim...
Envelheceu, criou rugas,
dos anos perdeu a conta,

vai-se arruinando e morrendo...
vergando os telhados velhos,
rachando as paredes nuas...
Vai, - como quem já foi tudo
e, hoje, não é coisa alguma,
- fugindo de todo o mundo,
por detrás das outras ruas ...




(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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