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" Os Olhos da Menina do Morro "
Martins d' Alvarez
Menina triste,
filha do Morro,
de cara feia,
de olhos enormes...
De olhos tão grandes,
que tanto falam,
que só se calam
quando tu dormes . . .
O mapa-mundi
do teu destino,
trazes nas vestes
esmolambadas.
E estes teus olhos,
no teu destino,
são dois caminhos
cheios de erradas.
Vives sofrendo,
sofres calada,
olhas em torno
sem compreender.
Há muitos olhos
como estes teus,
que andam na treva . . .
Que olham sem ver . . .
Meninazinha
feia, mirrada.
moeda-falsa
da tentação.
Sem estes olhos,
não vales nada!
Mas, os teus olhos
te perderão.
A sorte, em tudo,
te foi madrasta,
nada, na vida,
te concedeu.
Só nestes olhos,
cheios de agoiro,
tens o tesoiro
que Deus te deu.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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