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 "
Vigília "
                                                             Mario Limeira Alves


Nu, tão nu
Que me envergonhe
De minhas aparências.
Nu - tão nu e tão só -
Que ouça as soturnas vozes
Que perceba as formas descobertas
De minha nudez indevassável.

Nu, tão só comigo, tão nu de mim
Que me veja o corpo e nele a alma.   
( Absolutamente só, dolorosamente nu
Que me tema a própria presença
E o sem motivo dela ).
Nu, tão só, meu Deus, tão nu
Que o pó de minha ausência   
Me cubra os olhos-espera.
Me esmague de silêncio
De silêncio-dor.
De mim.

Nu, tão nu, tão só
Que o silêncio de minha mudez
Seja de mim o silêncio envergonhado
Mas seja a única esperança
O ritmo único de seu ser
Liberto !

Sentir-me nu, nu ao menos uma vez
Sentir-me só, só ao menos uma vez..   

Nu e só diante da Poesia
Nu. e só diante dos homens
Nu e só diante do mundo
Nu e só diante da vida
Nu e só diante de mim.
Espirito-Filho
Diante do Filho-Pai   

Nu e Só
Sem vez nenhuma antes
Sem vez nenhuma depois!   
   

(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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