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Poema
XVIII "
                                                             Mario Limeira Alves


Súbita chegada da nuvem parda
Cujo sorriso amarrado à cabeleira
É um suave olhar embaçado pelo mau tempo.

Nuvem parda tangida sem alvo.
Momento impassível retalhado em sangue
Destino-sorriso entre os 1ábios.
Mostrando o estacamento dos dentes.

Partida para longe. Cavalos
Ébrios de espaço-loucura. Pés
Tinindo nas rochas do céu infinito -
Corruscante fulgor de cascos em conflito.

Palavras brotam das narinas resfolegantes
Palavras-silêncio em meio ao barulho
Da cavalgada em desespero.

Suor pingado da face nuvem parda
Sobre a dança, ressequida da terra !

Agora sim há esperança
De que nascerão flores bailarinas
Para o ballet e a valsa e o samba.

Lenila dançará minueto
E Bach ao piano executará
Sim! a Sinfonia Acabada ( vivi
Até hoje, vivi, vivi, vivi
Para sobreviver esse tempo
De consumação).



(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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