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" O Novo Homem "
Mario Cruz
Extinguiu-se o esplendor da clássica beleza,
impassível e fria, olímpica e serene,
que, do rosto, banira a lágrima e o sorriso,
para, assim, conservar a perfeição das linhas.
Espelho do apogeu de um povo, cujos deuses
andavam pela Terra a semear fartura,
a Beleza era toda equilíbrio e harmonia
que gloriosa nudez do seu corpo de mármore.
Canto o perfil audaz; de traço aerodinâmico,
da Beleza febril e estranha do meu século,
que vara os vendavais como um pássaro esguio.
A sua fronte roça os raios nas alturas,
e em seu profundo olhar de abismo transparece
o espanto do Homem Novo em face de si mesmo.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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