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" Natureza Morta "
Mario Cruz
Na mesa de charão, uma jarra oriental
com orquídeas heris a rosas doentias,
ao lado de um antigo a singular missal
em velho marroquim com douradas estrias.
Ao canto do salão, um piano vertical
e um biombo japonês pleno de alegorias
estranhas e subtis, com ilhas de coral,
flamívoros, dragões, e montanhas esguias.
Na parede de fundo, uma pintura a fresco.
Manchas de sombra e luz num jogo rembrandtesco
nos ângulos da sala e nos umbrais da porta.
E nos velhos painéis do teto artesoado,
por toda a sala imensa, esse ar vago a parado,
sonolento e sem cor, de natureza morta.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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